Betabloqueadores e álcool: entender os perigos e adotar os bons reflexos

Você toma um beta-bloqueador todas as manhãs para regular sua pressão ou acalmar um ritmo cardíaco muito rápido. Uma noite, alguém lhe oferece um copo de vinho. A questão surge: o que acontece quando essas duas substâncias se cruzam no organismo? Os beta-bloqueadores e o álcool agem ambos sobre o sistema cardiovascular, e sua combinação pode provocar reações que o corpo tem dificuldade em gerenciar.

Beta-bloqueadores e pressão arterial: um mecanismo a proteger

Os beta-bloqueadores funcionam bloqueando certos receptores do coração e dos vasos sanguíneos. Esse bloqueio desacelera o ritmo cardíaco e reduz a pressão arterial. O medicamento mantém um equilíbrio cardiovascular preciso, calibrado pelo médico de acordo com seu estado de saúde.

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O álcool, por sua vez, dilata os vasos sanguíneos. Ele também provoca uma queda da pressão. Quando os dois efeitos se somam, a queda da pressão arterial pode se tornar brusca. Isso é chamado de hipotensão, e se manifesta por tonturas, visão turva ou uma sensação de fraqueza súbita.

Para entender bem os riscos associados aos beta-bloqueadores e ao álcool, é preciso ter em mente que essas duas substâncias não se anulam: elas se reforçam mutuamente sobre a pressão arterial, o que desequilibra o tratamento.

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Hipotensão e distúrbios do ritmo cardíaco após um copo de álcool

Você já percebeu essa sensação de calor no rosto após um copo? É a vasodilatação provocada pelo álcool. Em uma pessoa sob beta-bloqueador, essa vasodilatação se soma àquela já induzida pelo medicamento.

O principal risco é um mal-estar devido à queda de pressão ao ficar em pé, chamado hipotensão ortostática. Concretamente, você se levanta do sofá ou de uma cadeira, e sua pressão cai tão rápido que o cérebro fica brevemente sem sangue. Resultado: tontura, ou até perda de consciência.

Mulher consultando um farmacêutico sobre as interações entre beta-bloqueadores e álcool em uma farmácia

Esse cenário acontece mais frequentemente do que se pensa durante festas, afterworks ou refeições festivas. A pessoa toma seu tratamento pela manhã, consome álcool à noite e se levanta abruptamente. O mal-estar surge sem aviso.

Além da pressão, o álcool também pode perturbar o ritmo cardíaco. Os beta-bloqueadores são prescritos para estabilizar esse ritmo. O álcool pode mascarar os sinais de alerta de um distúrbio do ritmo ao atenuar a percepção de sintomas como palpitações ou falta de ar. O paciente não sente o que seu coração está passando.

O fígado no centro do problema: metabolismo dos beta-bloqueadores e álcool

O fígado degrada tanto o álcool quanto a maioria dos beta-bloqueadores. Essas duas substâncias mobilizam as mesmas enzimas hepáticas, especialmente os citocromos. Quando o fígado processa o álcool como prioridade, o medicamento permanece mais tempo no sangue. Seu efeito é então prolongado e amplificado.

Um consumo regular de álcool pode modificar de forma duradoura o metabolismo hepático dos beta-bloqueadores. Em um consumidor crônico, o fígado se adapta acelerando a degradação de certas moléculas. O medicamento é então eliminado muito rapidamente, e o tratamento perde eficácia. A pressão ou o ritmo cardíaco não são mais controlados adequadamente.

Esse mecanismo hepático explica por que dois pacientes sob o mesmo tratamento podem reagir de maneira muito diferente a um mesmo copo de vinho. O perfil de consumo de álcool muda a situação do ponto de vista farmacológico.

Sintomas a serem observados após beber sob tratamento

Aqui estão os sinais que devem alertar uma pessoa sob beta-bloqueador que consumiu álcool:

  • Tonturas ou sensação de desmaio ao se levantar, sinal de uma queda de pressão muito acentuada
  • Fadiga anormal ou sonolência excessiva, que traduz um efeito sedativo acumulado entre o medicamento e o álcool
  • Ritmo cardíaco incomumente lento ou irregular, perceptível como um desconforto torácico difuso
  • Náuseas ou suor frio ocorrendo na hora seguinte à ingestão de álcool

Se esses sintomas aparecerem, é preciso deitar, elevar as pernas e chamar um médico. Não espere que isso passe sozinho, especialmente em uma pessoa idosa ou polimedicada.

Idosos sob beta-bloqueadores: um risco de queda amplificado pelo álcool

As recomendações recentes sobre hipertensão insistem na noção de idade biológica em vez de idade cronológica. Um paciente de 75 anos frágil não reage como um adulto de 45 anos saudável. Em idosos, a associação de beta-bloqueador e álcool multiplica o risco de queda e síncope.

Close em comprimidos beta-bloqueadores e um copo de vinho em uma prateleira de banheiro ilustrando os riscos da mistura de medicamentos e álcool

Vários fatores se acumulam. A sensibilidade dos receptores cardíacos evolui com a idade. O fígado degrada as substâncias mais lentamente. A massa de água corporal diminui, o que concentra ainda mais o álcool no sangue. Adicione um beta-bloqueador que desacelera o coração e reduz a pressão: o menor copo de álcool se torna um fator de desequilíbrio.

A confusão mental, frequentemente subestimada, representa outro risco em pacientes idosos. Um idoso sob tratamento cardíaco que consome álcool pode apresentar sinais semelhantes a um acidente vascular, enquanto na verdade é uma interação medicamentosa.

Boas práticas para conciliar tratamento cardíaco e vida social

Deve-se renunciar a toda vida social sob beta-bloqueador? Não, mas algumas precauções mudam a situação.

  • Falar sobre seu consumo de álcool, mesmo moderado, com seu médico ou farmacêutico durante a renovação da receita
  • Evitar beber nas horas que seguem a ingestão do medicamento, quando sua concentração sanguínea é mais alta
  • Levantar-se lentamente após ter permanecido sentado ou deitado, para dar ao corpo tempo de ajustar a pressão sanguínea
  • Nunca parar um beta-bloqueador abruptamente para poder beber: a interrupção súbita expõe a um efeito rebote com aceleração do ritmo cardíaco

A interação entre beta-bloqueadores e álcool não é uma questão de quantidade precisa, mas de fragilidade individual. O mesmo copo pode ser inócuo em um paciente estável e provocar um mal-estar em outro. O reflexo mais confiável continua sendo discutir isso com o prescritor, que adaptará o tratamento ou os conselhos à sua situação cardíaca real.

Betabloqueadores e álcool: entender os perigos e adotar os bons reflexos